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7 de dezembro de 2008

BÍBLIA, A PALAVRA DE DEUS - PARTE 3

1c. Conteúdo Historicamente Correto.

A Bíblia também apresenta conteúdo historicamente correto. Como disse no tópico anterior digo novamente: a Bíblia é um livro de conteúdo espiritual, ou seja, ela não dará todas as explicações históricas, culturais e religiosas de outros povos, nem as coordenadas de suas respectivas cidades. Mas, todo o conteúdo histórico apresentado na Bíblia é exato, não é invenção humana.

Primeiras Civilizações

“E Cuxe gerou a Ninrode; este começou a ser poderoso na terra. E este foi poderoso caçador diante da face do SENHOR; por isso se diz: Como Ninrode, poderoso caçador diante do SENHOR. E o princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar. Desta mesma terra saiu à Assíria e edificou a Nínive, Reobote-Ir, Calá. E Resen, entre Nínive e Calá (esta é a grande cidade).” [Gênesis 10:8-12].

Essas são as primeiras cidades mencionadas na Bíblia após o dilúvio. Podemos considerar a terra de Sinar como a atual Mesopotâmia (do grego, meso = terra, potamos = rios - “terra entre rios”). Sinar, do hebraico, significa: terra dos rios [1].

Temos dois grupos de cidades:

1º Cidades no sul da Mesopotâmia:

Babel – Babilônia, perto do Eufrates.
Ereque – Uruk, às margens do Eufrates.
Acade – capital do império acadiano.
Calné – localização exata desconhecida.

2º Cidades no norte da Mesopotâmia:

Nínive – às margens do Tigre.
Reobote-Ir – localização exata desconhecida.
Calá – atual cidade de Nimrud, às margens do Tigre. [2]
Resen – entre Nínive e Calá, mas localização exata desconhecida.

Os dois grupos de cidades ficavam na Mesopotâmia. A Mesopotâmia é conhecida como o berço da civilização e abrigava parte das cidades mais antigas da Terra. A Bíblia mostra que a Mesopotâmia foi um dos primeiros lugares a ser altamente habitado e com a construção de cidades complexas, e disso a História não pode discordar.

Arqueologia

Pode-se dizer que não existe contradição entre o relato Bíblico e a Arqueologia. A maioria das cidades descritas na Bíblia foi redescoberta pela arqueologia, como Nínive, Harã, Ur, Babilônia, entre outras. E sobre as cidades que não foram descobertas ainda, porque parte foi totalmente destruída (como Sodoma e Gomorra) e sobre o resto a Bíblia é um registro escrito que suporta sua existência.

"Não pode haver dúvida de que a arqueologia confirmou a historicidade substancial da tradição do Antigo Testamento." [3] William F. Albright (1891-1971), um dos arqueólogos mais respeitados do mundo.

"Pode ser afirmado categoricamente que nenhuma descoberta arqueológica jamais contradisse uma referência bíblica". [4] Nelson Glueck, arqueólogo judeu.

Mas, uma descoberta fantástica ocorreu em 1975. Registros escritos de mais de 4.000 anos atrás foram descobertos pelo Dr. Paolo Matthiae, diretor da Missão Arqueológica Italiana na Síria. Ele descobriu "a maior biblioteca de arquivos do terceiro milênio [a.C.]" Ela inclui "mais de 15.000 tabuletas cuneiformes e fragmentos" e revelou um império semita que dominou o Oriente Médio há mais de quatro mil anos atrás, cuja capital era Ebla. [5]

As tabuletas de Ebla confirmaram o culto de deuses pagãos, tais como Baal, Dagom e Asera (poste-ídolo em algumas versões da Bíblia), "que só eram conhecidos através da Bíblia." [5]

"Os nomes de cidades que se pensava terem sido fundadas muito depois, tais como Beirute e Biblos, apareceram nas tabuletas. Damasco e Gaza são mencionadas, bem como duas das cidades bíblicas da planície, Sodoma e Gomorra... O mais intrigante de tudo são os nomes pessoais encontrados nas tabuletas de Ebla. Eles incluem Ab-ra-mu (Abraão), E-sa-um (Esaú)..." [5]

A Bíblia não fala de lugares fictícios. Vide as viagens missionárias de Paulo, todas as cidades em que ele pregou realmente existiram. Os impérios mencionados na Bíblia realmente existiriam. A Arqueologia não contradiz a Bíblia.

(Acima, foto de uma das tabuletas de Ebla, datada de 2.300 a.C.).

Relatos Históricos na Bíblia

- Reis Assírios e Cativeiro de Israel

Em 722 a.C., o reino de Israel (Reino do Norte) foi finalmente anexado ao império Assírio, com a conquista da cidade de Samaria, a capital do reino de Israel. Mas as invasões assírias começaram décadas antes.

“Então veio Pul*, rei da Assíria, contra a terra; e Menaém deu a Pul mil talentos de prata, para que este o ajudasse a firmar o reino na sua mão.” [2 Reis 15:9].

“Nos dias de Peca, rei de Israel, veio Tiglate-Pileser, rei da Assíria, e tomou a Ijom, a Abel-Bete-Maaca, a Janoa, e a Quedes, a Hazor, a Gileade, e a Galiléia, e a toda a terra de Naftali, e os levou à Assíria.” [2 Reis 15:29].

“Contra ele (Oséias) subiu Salmaneser, rei da Assíria; e Oséias ficou sendo servo dele, e pagava-lhe tributos. Porém o rei da Assíria achou em Oséias conspiração; porque enviara mensageiros a Só, rei do Egito, e não pagava tributos ao rei da Assíria cada ano, como dantes; então o rei da Assíria o encerrou e aprisionou na casa do cárcere. No ano nono de Oséias, o rei da Assíria tomou a Samaria, e levou Israel cativo para a Assíria; e fê-los habitar em Hala e em Habor junto ao rio de Gozã, e nas cidades dos medos,...” [2 Reis 17:3, 4 e 6].

* Observação: Esse rei “Pul” é o rei Tiglate-Pileser III.

A Bíblia registra a sucessão de reis corretamente. Tiglate-Pileser III foi o fundador do Novo Império Assírio e empreendeu várias campanhas expansionistas. Ele conquistou a Síria, grande inimiga de Israel e Judá (Vide 2 Reis 16:7-9) e iniciou a conquista do reino de Israel. Seu filho, Salmaneser V continuou a campanha de seu pai, esmagando a rebelião de Samaria.

“Registros bíblicos, concordam com registros assírios, descrevendo como Tiglate-Pileser III recebeu 1000 talentos de prata em tributo do rei Menaém de Israel (2 Rs 15:9) e derrotou seu sucessor, Peca (15:29). Peca se aliou com Rezin, rei dos arameus, contra Acaz (conhecido pelos assírios como Yahu-khazi), rei de Judá, que respondeu pedindo a ajuda do monarca assírio com o ouro e prata do Templo. Tiglate-Pileser concordou e tomou Damasco, executou Rezin e deportou os habitantes arameus para Quir (16:9). Ele também tomou o norte de Israel, e deportou o rubenitas, gaditas e manassitas para Hala, Habor, Hara e para o rio Gozã (1 Crônicas 5:26)...

Com sua morte, ele foi sucedido por seu filho Ululayu, que tomou o nome Salmaneser V, que posteriormente lutou na região do Levante* e capturou Samaria.” [Fim da citação; tradução nossa]. [6]

(Acima mapa do império Assírio. Em amarelo o reino de Judá que sobreviveu às invasões assírias - 2Rs 18 e 19; Is 36 e 37).

- Cativeiro de Judá

Todo o relato do cativeiro do reino de Judá (Reino do Sul) também está de acordo com a História.

“Tinha Zedequias a idade de vinte e cinco anos, quando começou a reinar; e onze anos reinou em Jerusalém. E fez o que era mau aos olhos do SENHOR seu Deus; nem se humilhou perante o profeta Jeremias, que falava da parte do SENHOR. Além disto, também se rebelou contra o rei Nabucodonosor, que o tinha ajuramentado por Deus. Mas endureceu a sua cerviz, e tanto se obstinou no seu coração, que não se converteu ao SENHOR Deus de Israel. Porque fez subir contra eles o rei dos caldeus, o qual matou os seus jovens à espada, na casa do seu santuário, e não teve piedade nem dos jovens, nem das donzelas, nem dos velhos, nem dos decrépitos; a todos entregou na sua mão. E todos os vasos da casa de Deus, grandes e pequenos, os tesouros da casa do SENHOR, e os tesouros do rei e dos seus príncipes, tudo levou para babilônia. E queimaram a casa de Deus, e derrubaram os muros de Jerusalém, e todos os seus palácios queimaram a fogo, destruindo também todos os seus preciosos vasos. E os que escaparam da espada levou para babilônia; e fizeram-se servos dele e de seus filhos, até ao tempo do reino da Pérsia.” [2 Crônicas 36:11-13 e 17-20].

“Nabucodonosor se envolveu em várias campanhas militares concebidas para aumentar a influência babilônica na Síria e em Judá. Uma tentativa de invasão ao Egito em 601 a.C. foi fortemente resistida, no entanto, levou a várias rebeliões entre os estados do Levante, incluindo Judá. Nabucodonosor lidou rapidamente com essas rebeliões, capturando Jerusalém em 597 a.C., depondo o rei Jeoiaquim, e então em 587 a.C., devido à rebelião, destruiu tanto a cidade como o Templo e deportou muitos dos cidadãos proeminentes junto com boa parte da população de Judá à Babilônia.” [Tradução nossa] [7]

Existem muitos outros relatos históricos que comprovam a Bíblia, não os citamos aqui devido ao espaço. Futuramente poderemos analisar em outros artigos mais fatos históricos que concordam com a Bíblia.

PARTE 4

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Que Deus o abençoe,
Marcelo N. Motta.

Referências e Observações

1. Sinar, “terra dos rios”. Extraído de Wikipedia, the Free Encyclopedia, Etimology - http://en.wikipedia.org/wiki/Shinar

2. Calá, cidade de Nimrud. Extraído de Wikipedia, the Free Encyclopedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Nimrud#History

3. William F. Albright, The Archeology and the Religions of Israel, John Hopkins Press, Baltimore, 1956, p. 176.

4. Nelson Glueck, Rivers in the Desert: History of Negev. Jewish Publication Society of America, Philadelphia, 1969, P. 176.

5. Howard LaFay, "Ebla: Splendor of an unknown Empire," National Geographic, dezembro de 1978.

6. Tiglate-Pileser III. Extraído de Wikipedia, the Free Encyclopedia, Tiglath-Pileser III, Biblical Records, Legacy - http://en.wikipedia.org/wiki/Tiglath-Pileser_III#Biblical_records

7. Nabucodonosor. Extraído de Wikipedia, the Free Encyclopedia, Nebuchadnezzar II, Biography - http://en.wikipedia.org/wiki/Nebuchadrezzar_II#Biography

* A região do Levante. O termo “Levante” é usado para se referir à parte ocidental do Oriente Médio e compreende os atuais países de Israel, Jordânia, Líbano e Síria, e porções menores do Egito, Iraque e Arábia Saudita. Mapa ao lado.

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